Natal brasileiro

16 12 2007

Chega a época natalina.

 

 

Luzes florescentes por toda a cidade. Árvores com bolas e enfeites que colorem as casas. Comércio agitado que se esforça pra aproveitar ao máximo uma das melhores estações de venda do ano. E é em meio a todo esse cenário que muitas pessoas gastam grande parte do tempo ( e do dinheiro) em presentes e festas.

 

Mas até que ponto o comércio influencia no imaginário popular de natal? Milhares de filmes são lançados anualmente com motivos natalinos. Esses mostram o natal à moda dos EUA, ou países de baixa temperatura, com bonecos de neve, lareiras e roupas que protegem do frio.

 

Em países de clima tropical, como o Brasil, as adaptações natalinas são as mais impactantes possíveis. Por exemplo, o que acha de um pinheiro em plena região Amazônica? Um lugar tão característica pela florestal tropical úmida. Contraditório não?

 

O que se pergunta é: Por que se colocar um pinheiro de plástico em casa, sendo que há inúmeras outras espécies de árvores mais adaptáveis ao clima brasileiro por perto? Qual o problema das bananeiras, mangueiras, cajueiros ou cupuaçuzeiros? E o papai noel? Não já está cansado de sofrer no calor debaixo daqueles tecidos vermelhos?

 

Será que o quesito tradição é suficiente para se continuar a montar, ano após ano, os mesmo e inadequados enfeites? ou Natal só será Natal se for montado do jeito que nos foi mostrado um dia?





Índio: discurso oficial e imaginário popular

2 11 2007

“Davam-nos daqueles arcos e setas em trocas de sombreiros e carapuças de linho, e de qualquer coisa que a gente lhes queria dar.”

Pero Vaz de Caminha

A história do Brasil é marcada por inúmeras inserções, mitológicas ou não, que fizeram parte da formação do brasileiro, esteja ele na condição oficial ou no imaginário popular.

Com a colonização portuguesa, o índio foi demonstrado como um bobo pelo fato de ele aceitar facilmente as condições impostas pelos “descobridores”. A cultura indígena estabelece-se diferentemente da européia. Assim, valores como ambição por ouro e submissão de outras civilizações não fazem parte do modo de vivência do indígena, daí a fácil manipulação das riquezas minerais pelos portugueses por meio do escambo. Além disso, o índio, por não falar a mesma língua que o português, não possuir características semelhantes em relação a vestimentas, aspectos religiosos, relações interpessoais e outros valores, foram considerados seres que deveriam ser colonizados em todos os aspectos, incluindo o âmbito religioso. A inocência do indígena perante os acontecimentos colonizadores contribuíram para a iniciativa da aculturação indígena.

Além disso, outros aspectos já tinham sido destacados pelos portugueses, como agricultura, biodiversidade, relevo e território. O caráter exótico desses aspectos foram alvos de grande ambição desde aquela época.

Com o passar do tempo tais pensamentos foram pouco a pouco inseridos no discurso oficial e no imaginário popular. O indígena, por exemplo, por muito tempo foi mostrado como ser submisso e isso desencadeou a idéia de inferioridade do mesmo. Atualmente várias políticas públicas, como a Fundação Nacional do Índio – FUNAI, são retratadas a fim de conservar a cultura indígena que por muito tempo foi devastada. Entre elas, o atual sistema de cotas nas universidades públicas, que visa uma concorrência mais justa nos vestibulares, consiste num aspecto polemizado por se discutir a eficiência e a eficácia da ação política.

Os aspectos naturais já observados por Pero Vaz de Caminha transcenderam para a atualidade de modo que a admiração e consequente cobiça expandiram-se por todo o planeta, como ocorre no exemplo da política de internacionalização da Amazônia. Popularmente, a biodiversidade ainda possui muito do caráter romântico iniciado há décadas. Dessa forma, a sociedade brasileira ainda não se apropriou politicamente da biodiversidade do país que é tão cobiçada internacionalmente.