Minha vez de falar

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Latifoliadamente molhadas

Sáb Out, 2008 · 1 Comentário

Através do vidro embaçado pela umidade da chuva vejo as folhas latifoliadas amazônicas agradecendo pela água que veio para saciar a sede.

Assim como folhas latifoliadas das árvores amazônicas, o amazonense agradece pela brisa, desta vez refrescante, que, agora, vem acompanhada de água do tipo pluvial.

Nota-se isso pela expressão dos cidadãos. Estão mais calmos, criativos e dispostos independentemente do cansaço do cotidiano.

Acostumados a reclamar do calor típico, que faz os termômetros da cidade medirem, no mínimo, 35ºC, os contribuintes agora desfrutam desse tempo que lembra o frio e desejam que isso tudo continue.

No restante do país é início de primavera. Aqui, cogita-se a possibilidade da outra estação local: o verão chuvoso. A primeira chama-se apenas verão.

Há cinco anos convivendo com nativos amazoneses, é possível compreeender a diferença que a temperatura pode oferecer a uma sociedade.

 

Chama-se de olhar climatologicamente amazonense.

É bem provável que seja isso o que as folhas verdes latifoliadas insistem em transmitir a mim através do vidro embaçado pela torrencial chuva de hoje.

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Jovens e o pensamento em relação a Amazônia

Seg Jun, 2008 · 2 Comentários

Esses dias, aconteceu o 18º Encontro Nacional dos Estudantes de Design aqui na Ufam. Assim como um bom encontro nacional, o chamado N Design trouxe estudantes vindos dos mais diferentes lugares do país.

De fato, o Encontro deixou bem claro que quando se quer (e se tem dinheiro) dá pra se produzir um evento engrandecedor. Dá só uma olhada no site do evento

A questão é:

Tendo tantas palestras/oficinas sobre várias assuntos interessantíssimos para qualquer acadêmico de Design, por que aqueles insistem em preferir o bar ao lado da faculdade?

Se fosse só isso tudo bem. Afinal, fazer o quê? Cada um escolhe o que quer para o futuro.

Mas vira e mexe os amazonenses (e todos os que moram na região Amazônica) tem que ouvir algum absurdo sobre a Amazônia.

Com jovens de todo o Brasil, que moraram por uma semana aqui na Ufam (sim, o congresso foi do dia 1 a 7 de junho), a gente tinha que ouvir:

“Ah..guri..eu ouvi dizer que tem uns índio aqui perto que deixa agente olhar a casa deles se agente dar umas moedinhas pra eles. Eles são tudo besta..vamo lá?!”

Deixar bem claro que não estou generalizando, mas assim fica difícil. Como agente vai poder defender nossos indígenas com os respectivos direitos, se esse tipo de pensamento ainda está na cabeça de muita gente por aí?
E olha que esse é apenas um caso isolado hein…

Ah. Dura caminhada.

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Cristovam Buarque na Ufam

Dom Jun, 2008 · Deixe um comentário

No dia 30/05/2008, a Ufam contou com a presença do Senador Cristovam Buarque que inaugurou o 1º Núcleo Educacionista Jefferson Péres em memória ao senador Jefferson Peres falecido no mês de maio.

Vindo à Manaus inicialmente por causa da missa de 7º dia do Senador Jefferson Peres, Cristovam Buarque apresentou o programa Núcleo Educacionista no hall do Instituto de Ciências Humanas e Letras (ICHL) na presença de cerca de 200 acadêmicos.

Além desses, estavam presentes, compondo a mesa, Gedeão Amorim, Secretario de Educação do Amazonas, Kátia de Araújo, representando a Secretaria Municipal de Educação do Amazonas e os professores da Ufam: Ricardo Nogueira e José Aldemir Ramos, coordenador do Núcleo de Cultura e Política de Ciências Sociais da Ufam.

A palestra, que iniciou às 9 horas, teve como tema principal o educacionismo. Cristovam, que abordou sobre uma educação para o desenvolvimento sustentável da Amazônia Brasileira, discursou sobre as características de uma sociedade que valoriza a educação.

Segundo ele, para ser educacionista é preciso cuidar da educação do cidadão lutando por uma mesma escola tanto para o rico como para o pobre e, além disso, valorizar a inteligência de cada um. “Eu vim aqui para contaminar vocês com o educacionismo”, disse o senador.

Aí eu penso: é senador, mais um defensor da ética se vai.

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Plantando Saber: Amazônia Valorizada.

Sáb Mai, 2008 · Deixe um comentário

Fundado em 2006 pelo jornalista Wilis Souza e desenvolvido na região do Puraquequara, na zona leste de Manaus, o projeto sócio-ambiental, “Plantando Saber”, se destaca no cenário mundial por mostrar como valorizar a cultura amazônica e auxiliar a comunidade local com cursos a partir de produtos da região.
Contando com o apoio de voluntários, o projeto oferece cursos de tapeçaria, jardinagem, marcenaria, serigrafia, língua espanhola e inglesa. “O primeiro curso, que eu ministrei”, explica Wilis, “foi de entalho em madeira para produção de peças decorativas, aproveitando uma serraria aqui próxima que desperdiça muitos fragmentos de árvores”. Outros cursos oferecidos são: Confecção em sabonetes, ministrados por funcionários da Instituição Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) e Bijuterias regionais e bio-jóias (compostas por sementes regionais e strass), no qual muitos dos alunos foram
contratados pela Fundação Centro de Análise, Pesquisa e Inovação Tecnológica (FUCAPI).
De acordo com Denira Farias, professora voluntária do curso de Língua Espanhola do projeto, os coordenadores não recebem salários pelos cursos ministrados. Pelo contrário, para ela contribuir com a cidadania e com os jovens é muito gratificante. “Esse ano fizemos feijoadas e bingos com o objetivo
de arrecadar dinheiro para cobrir a cabana onde são realizados os cursos. Para levar à frente tem que ter muita boa vontade. Estamos começando”, disse. Cerca de 150 pessoas já foram beneficiadas pela iniciativa e se profissionalizaram com o conhecimento adquirido no projeto. Jorge Araújo, coordenador do curso de sementes regionais, informa que o trabalho é realizado com pessoas que, na maioria das vezes, estudaram até a quinta série.

“Plantando Saber” foi reconhecido em âmbito nacional e mundial ao ser representado por Jorge em vários locais como Natal, no Rio Grande do Norte, São Paulo, patrocinado pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas – SEBRAE e países como a Alemanha e Estados Unidos. Segundo ele, foram encaminhadas aproximadamente 250 bijuterias produzidas nos cursos do projeto para o mercado americano. “Todo o material utilizado na fabricação das bijuterias regionais e bio-jóias são coletados. As pessoas gostam do brilho da madeira natural. Os manauenses não se interessavam por esses acessórios
como os estrangeiros. Agora que eles (amazonenses) estão começando a valorizar. Já se vê as bijuterias no lugar de ouro e prata. Antes o pessoal falava que eram colares de macumbeiros, mas agora a moda pegou e esse pensamento está mudando. Muitos artistas da tevê já usaram as minhas bijuterias regionais”, orgulha-se Jorge.

Wilis Souza destaca ainda que o desenvolvimento de projetos como esse contribui de maneira significativa para o fortalecimento da cultura amazônica, incentivando o modo de vida local e não somente de outros países. “Em alguns pontos de Manaus, os jardins já são feitos com palmeiras de açaí, bacaba e paxiúba, o que não acontecia antes. Hoje se tem uma cultura direcionada às nossas plantas” complementa.

Matéria via Jornal laboratorial “O Repórter”.

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Violência contra a mulher diminuiu?

Dom Fev, 2008 · Deixe um comentário

Segundo o relatório da Delegacia Especializada em Crimes contra a Mulher (DECCM) a violência contra a mulher diminuiu 11,1% em Manaus durante o ano de 2007. Em entrevista ao jornal “A Crítica” de 19 de janeiro de 2008, Joelma Ribeiro, delegada plantonista da DECCM, informa que por tornar a penalidade mais severa e impedir a retirada de queixas, a chamada Lei Maria da Penha auxilia na redução dos casos de violência contra a mulher.

Mais conhecida como Lei Maria da Penha, a Lei de Violência Doméstica Familiar lida com a violência associada às mulheres de todas as idades, amparando-as. Essa lei se constitui como o primeiro instrumento legal e legítimo para enfrentar as formas de violência doméstica, representando um marco no posicionamento jurídico brasileiro em relação a esse tema. Porém, há muitos relatos de casos de violência contra a mulher que deixam de ser denunciados.

De acordo com Débora Cavalcante Siqueira, 19, moradora do bairro Parque Dez de Novembro, as ocorrências na chamada “delegacia da mulher” estão diminuindo por causa do medo de denunciar. Para ela, as agressões não cessaram. “As mulheres são violentadas muitas vezes porque querem. Não têm coragem de denunciar seus maridos por medo dos filhos saberem que seu pai pode ser preso” declara.

“O principal motivo é a insegurança e a fragilidade em que as vítimas se encontram”, afirma Rebeca Mota Souza, 21, moradora do bairro Cidade Nova, “é muito fácil elas irem fazer a denúncia e amanhã os agressores estarem livres para agredir de novo. Logo, elas têm medo de serem violentadas e não denunciam” complementa.

Outra causa que contribui para as mulheres não denunciarem as agressões é a preocupação com o estado emocional dos filhos. Tainá Castro Peñaranda, 20, moradora do bairro Flores, acredita que a Lei Maria da Penha ampara as mulheres, mas não é suficiente para garantir o esgotamento de casos de violência que têm mulheres como vítimas. “Agora não se pode retirar queixas. Antes o cara batia, depois ameaçava a vítima e ela ia retirar a ocorrência. Hoje não pode mais fazer isso. Na maioria das vezes, por medo e não ter como se sustentar, as mulheres acabam acreditando que os agressores vão mudar e continuam nessa situação”.

Há mulheres que têm medo de serem ameaçadas pelos agressores. Mesmo assim, Maria da Guia Silva, 47, moradora do bairro da Chapada, destaca a importância que as denúncias têm para que o número de violência contra a mulher diminua. “As vítimas têm que denunciar. Às vezes, a pessoa tem medo. Tendo medo, ou não, o certo é denunciar, senão a violência continua”.

De acordo com a professora Ivânia Vieira, professora da Universidade Federal do Amazonas, a luta pelo incentivo à denúncia não é simples. Segundo ela, as vítimas têm que responder pela manutenção de filhos ou de outras pessoas agregadas e estão muitas vezes sozinhas nessa tarefa. “Há toda uma estrutura funcionando secularmente contra ela, dizendo ‘é melhor você aceitar’, ‘é o pai dos seus filhos’, ‘não desista, ele é um bom quando não lhe agride. Este é um cenário muito complicado. Não é fácil” lembra.

A presidente do conselho municipal dos direitos das mulheres, Socorro Papoula, atenta, em declaração concedida ao jornal “A Crítica” de 19 de janeiro de 2008, para o fato de ainda ser cedo para se comemorar sobre esse novo número de ocorrências relacionado à violência contra a mulher. “Não podemos ignorar o fato de que a maioria dos casos de violência contra a mulher sequer chegam a ser denunciados” conclui.

Matéria via Jornal Laboratorial “O Repórter”.

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A cidade não foi feita para pedestres

Dom Jan, 2008 · 6 Comentários

O ano de 2008 chegou, mas o trânsito continua o mesmo.

Segunda, terça, quarta, quinta e sexta-feira.

Se você for ao centro de Manaus em algum desses dias, terá a oportunidade de testemunhar o caos que ocorre no trânsito da cidade.

Isolada parcialmente do restante do país por causa dos rios, a capital do estado do Amazona vem crescendo exageradamente, assumindo uma das características metropolitanas: o inchaço automobilístico. Com isso, sobra pouco espaço para os que preferem caminhar.

O problema não é exclusivo da população manauara. São Paulo e Rio de Janeiro são os locais que encabeçam a longa lista de cidades que possuem automóveis além da conta. Espelhando-se nelas, a preocupação em relação a esse aspecto, tendo como foco a cidade de Manaus é de extrema importância.

Que tal tomar a iniciativa e não estacionar mais nas calçadas?

O bem-estar social agradece!

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Índio: discurso oficial e imaginário popular

Sex Nov, 2007 · 3 Comentários

“Davam-nos daqueles arcos e setas em trocas de sombreiros e carapuças de linho, e de qualquer coisa que a gente lhes queria dar.”

Pero Vaz de Caminha

A história do Brasil é marcada por inúmeras inserções, mitológicas ou não, que fizeram parte da formação do brasileiro, esteja ele na condição oficial ou no imaginário popular.

Com a colonização portuguesa, o índio foi demonstrado como um bobo pelo fato de ele aceitar facilmente as condições impostas pelos “descobridores”. A cultura indígena estabelece-se diferentemente da européia. Assim, valores como ambição por ouro e submissão de outras civilizações não fazem parte do modo de vivência do indígena, daí a fácil manipulação das riquezas minerais pelos portugueses por meio do escambo. Além disso, o índio, por não falar a mesma língua que o português, não possuir características semelhantes em relação a vestimentas, aspectos religiosos, relações interpessoais e outros valores, foram considerados seres que deveriam ser colonizados em todos os aspectos, incluindo o âmbito religioso. A inocência do indígena perante os acontecimentos colonizadores contribuíram para a iniciativa da aculturação indígena.

Além disso, outros aspectos já tinham sido destacados pelos portugueses, como agricultura, biodiversidade, relevo e território. O caráter exótico desses aspectos foram alvos de grande ambição desde aquela época.

Com o passar do tempo tais pensamentos foram pouco a pouco inseridos no discurso oficial e no imaginário popular. O indígena, por exemplo, por muito tempo foi mostrado como ser submisso e isso desencadeou a idéia de inferioridade do mesmo. Atualmente várias políticas públicas, como a Fundação Nacional do Índio – FUNAI, são retratadas a fim de conservar a cultura indígena que por muito tempo foi devastada. Entre elas, o atual sistema de cotas nas universidades públicas, que visa uma concorrência mais justa nos vestibulares, consiste num aspecto polemizado por se discutir a eficiência e a eficácia da ação política.

Os aspectos naturais já observados por Pero Vaz de Caminha transcenderam para a atualidade de modo que a admiração e consequente cobiça expandiram-se por todo o planeta, como ocorre no exemplo da política de internacionalização da Amazônia. Popularmente, a biodiversidade ainda possui muito do caráter romântico iniciado há décadas. Dessa forma, a sociedade brasileira ainda não se apropriou politicamente da biodiversidade do país que é tão cobiçada internacionalmente.

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