Fundado em 2006 pelo jornalista Wilis Souza e desenvolvido na região do Puraquequara, na zona leste de Manaus, o projeto sócio-ambiental, “Plantando Saber”, se destaca no cenário mundial por mostrar como valorizar a cultura amazônica e auxiliar a comunidade local com cursos a partir de produtos da região.
Contando com o apoio de voluntários, o projeto oferece cursos de tapeçaria, jardinagem, marcenaria, serigrafia, língua espanhola e inglesa. “O primeiro curso, que eu ministrei”, explica Wilis, “foi de entalho em madeira para produção de peças decorativas, aproveitando uma serraria aqui próxima que desperdiça muitos fragmentos de árvores”. Outros cursos oferecidos são: Confecção em sabonetes, ministrados por funcionários da Instituição Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) e Bijuterias regionais e bio-jóias (compostas por sementes regionais e strass), no qual muitos dos alunos foram
contratados pela Fundação Centro de Análise, Pesquisa e Inovação Tecnológica (FUCAPI).
De acordo com Denira Farias, professora voluntária do curso de Língua Espanhola do projeto, os coordenadores não recebem salários pelos cursos ministrados. Pelo contrário, para ela contribuir com a cidadania e com os jovens é muito gratificante. “Esse ano fizemos feijoadas e bingos com o objetivo
de arrecadar dinheiro para cobrir a cabana onde são realizados os cursos. Para levar à frente tem que ter muita boa vontade. Estamos começando”, disse. Cerca de 150 pessoas já foram beneficiadas pela iniciativa e se profissionalizaram com o conhecimento adquirido no projeto. Jorge Araújo, coordenador do curso de sementes regionais, informa que o trabalho é realizado com pessoas que, na maioria das vezes, estudaram até a quinta série.
“Plantando Saber” foi reconhecido em âmbito nacional e mundial ao ser representado por Jorge em vários locais como Natal, no Rio Grande do Norte, São Paulo, patrocinado pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas – SEBRAE e países como a Alemanha e Estados Unidos. Segundo ele, foram encaminhadas aproximadamente 250 bijuterias produzidas nos cursos do projeto para o mercado americano. “Todo o material utilizado na fabricação das bijuterias regionais e bio-jóias são coletados. As pessoas gostam do brilho da madeira natural. Os manauenses não se interessavam por esses acessórios
como os estrangeiros. Agora que eles (amazonenses) estão começando a valorizar. Já se vê as bijuterias no lugar de ouro e prata. Antes o pessoal falava que eram colares de macumbeiros, mas agora a moda pegou e esse pensamento está mudando. Muitos artistas da tevê já usaram as minhas bijuterias regionais”, orgulha-se Jorge.
Wilis Souza destaca ainda que o desenvolvimento de projetos como esse contribui de maneira significativa para o fortalecimento da cultura amazônica, incentivando o modo de vida local e não somente de outros países. “Em alguns pontos de Manaus, os jardins já são feitos com palmeiras de açaí, bacaba e paxiúba, o que não acontecia antes. Hoje se tem uma cultura direcionada às nossas plantas” complementa.
Matéria via Jornal laboratorial “O Repórter”.
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